Às vezes basta uma única escolha para mudar completamente a história.
No caso de Deborah Rabelo, essa escolha foi uma tatuagem.
Deborah nasceu em São Paulo, em 1994. Ainda muito jovem, aos 14 anos, iniciou uma carreira como modelo internacional. Durante a adolescência viveu na Ásia, convivendo diariamente com culturas muito diferentes da sua. Em meio à arquitetura, à arte, aos jardins e à estética oriental, começou a desenvolver um olhar atento para aquilo que muitas vezes passa despercebido: o equilíbrio entre o cheio e o vazio, a força do gesto, a importância do silêncio dentro de uma composição.
Sua formação artística já havia começado, mas ainda não era através da pintura, nem da tatuagem. Era através do olhar.
Durante aqueles anos, sua vida parecia seguir um caminho bem definido. Até que uma decisão mudou tudo.
Deborah decidiu fazer uma tatuagem no braço.
Para a indústria da moda, foi motivo suficiente para encerrar sua carreira. E é justamente nesse instante que a verdadeira história começa.
De volta ao Brasil, Deborah decidiu se dedicar integralmente às artes visuais. A pintura passou a ocupar o centro da sua vida; não como reprodução da realidade, mas como investigação.
Camadas espessas de tinta.
Marcas de espátula.
Texturas construídas lentamente.
Cada tela deixava de representar apenas uma imagem para registrar também o movimento do corpo, o tempo e a matéria. Entre a figuração e a abstração, começou a desenvolver uma linguagem própria, onde delicadeza e força convivem no mesmo espaço.
Aos 21 anos iniciou sua trajetória como tatuadora. Mas, novamente, não buscou repetir fórmulas. Levou para a tatuagem tudo aquilo que vinha pesquisando na pintura.
A liberdade do gesto.
As manchas.
As texturas.
Os vazios.
As referências do sumi japonês, do expressionismo abstrato, da gravura e da ilustração botânica passaram a dialogar diretamente com a anatomia humana.
Cada tatuagem deixou de ser apenas um desenho, e passou a ser uma composição construída especificamente para aquele corpo. Uma obra única.
Hoje, Deborah transita naturalmente entre dois universos.
Na tela, trabalha com óleo, matéria e espessura.
Na pele, transforma o corpo em suporte para uma narrativa permanente.
Sua conexão com a natureza, fortalecida por um estilo de vida vegano, também atravessa sua produção. Plantas, movimento, transformação e a relação entre todos os seres vivos aparecem não apenas como temas, mas como princípios que orientam seu modo de criar.
A identidade não é algo pronto, ela é construída pelas experiências, pelas perdas, pelos encontros e pelas escolhas que fazemos ao longo da vida.
A trajetória de Deborah Rabelo mostra exatamente isso.